Olá, malta 👋 Aqui é a Rhiselle! Se têm acompanhado a minha aventura no snowboard no IG, sabem que tenho um carinho especial pelos dias fora das pistas. É selvagem, é calmo e, sinceramente, nada se compara a esculpir linhas frescas sem ninguém à vista.
Mas, falando a sério, o fora das pistas não é só uma vibe — é uma responsabilidade. Por isso, se estão a pensar aventurar-se para além das cordas das estações, aqui fica o meu guia de rapariga para rapariga (ou para o teu bro) sobre como começar em segurança.
Antes de pensar no equipamento ou nos mapas, tem de compreender o risco de avalanches. Esta não é a parte para “improvisar”.
🔸 Faça um curso de segurança em avalanches
Comece pelo AIARE Nível 1 ou pelo equivalente no seu país. Vai aprender a:
Interpretar previsões de avalanches e armadilhas de terreno
Utilizar um transceptor, sonda e pá
Compreender a estabilidade do manto nival e os padrões meteorológicos
💬 Dica pessoal: Pratique exercícios com o transceptor com amigos — a velocidade é importante em situações de resgate, e a maioria das pessoas não é suficientemente rápida no início.
🔸 Leia os boletins de avalanches — Sempre. E. Cada. Vez.
Utilize fontes de confiança como avalanche.org ou o boletim local. Vai obter:
Níveis de perigo de avalanches (de Baixo a Extremo)
Relatos recentes de avalanches
Detalhes sobre o manto nival + meteorologia
2. O seu equipamento para fora das pistas: O que realmente precisa
Aqui fica a minha lista sincera — o que levo, o que visto e porquê.
🎿 Equipamento essencial:
Setup de splitboard (uso Weston ou Jones — são fantásticos a descer, mas subem como ninguém)
Peles compatíveis com a sua prancha (prefiro a mistura de mohair-nylon para aderência e deslize)
Fixações (uso Spark R&D, super responsivas)
Bastões – recolhíveis, em carbono se quiser poupar peso
Kit de segurança em avalanches – transceptor, sonda, pá (não negociável)
🎒 Mochila (25–35L):
Espaço para camadas, equipamento de segurança, comida, água, kit médico, ferramentas, etc.
A minha: Ortovox Avabag com sistema de airbag — opcional, mas dá mais tranquilidade
🧥 O meu conjunto para fora das pistas (sim, o estilo também conta 😉):
Camada intermédia – casaco de penas ou sintético compacto
Casaco exterior – impermeável, à prova de vento, mas respirável
Luvas – um par quente + um par de touring mais leve
Capacete + óculos – mesmo fora das pistas, proteja essa cabeça 🧠
3. Técnicas de touring: É mais do que apenas descer
Vai caminhar mais do que descer. Pense nisso. E vai suar — muito.
🥾 Aprenda a usar peles:
Pratique viragens com o pé de fora — parecem ridículas, mas poupam energia
Use elevadores de calcanhar em secções íngremes
Controle o seu ritmo: devagar e com firmeza ganha esta corrida
🗺️ Noções básicas de orientação:
Use o Gaia GPS ou o FATMAP
Estude o terreno na noite anterior
Identifique zonas propensas a avalanches
Planeie a sua saída tanto quanto a sua linha
💬 Dica de pro: Leve um mapa impresso + bússola. Os telemóveis descarregam no frio. E aprenda a usar ambos.
4. Saiba quando dizer não ❌
Sinceramente, algumas das minhas melhores decisões foram não sair. Tempestades chegam, o manto nival fica instável ou o seu corpo simplesmente diz “não.” Tudo bem.
Ouça:
Boletins de avalanches
A sua intuição
Parceiros experientes
Nenhuma descida na neve fresca vale a pena arriscar a sua vida.
💬 Hora de contar uma história: Uma vez caminhei 3 horas para chegar a uma linha e dei meia-volta 10 minutos antes do topo porque o manto nival não parecia seguro. Arrependo-me? Nem por um segundo.
5. Vá com a equipa certa 💯
O fora das pistas é um desporto de equipa. Vá com:
Pessoas com formação em avalanches
Riders que conhecem o terreno
Amigos que comunicam claramente
E pessoas que não o pressionarão a arriscar em condições perigosas
Comece de forma simples. Alternem quem lidera. Façam um balanço após cada saída.
FAQ 💬
P: Que condição física preciso ter para praticar backcountry?
Ter boa capacidade cardiovascular e resistência nas pernas ajuda, mas vá ao seu próprio ritmo. Comece com percursos curtos!
P: Qual é um bom percurso de estreia no backcountry?
Escolha encostas de baixa inclinação (<30°), perto da civilização e com o mínimo de terreno com risco de avalanche. Comece por fazer percursos com guia.
P: Posso ir apenas com raquetes de neve e uma prancha?
Tecnicamente sim, mas é exaustivo. As splitboards valem o investimento para percursos mais longos.
P: Preciso de uma mochila com airbag?
Não é obrigatório, mas acrescenta segurança. Se pratica regularmente em zonas de elevado risco, é uma atualização inteligente.
Considerações finais 💭
O snowboard no backcountry não é apenas um desporto — é uma mentalidade. Obriga-nos a abrandar, a planear com antecedência e a andar com propósito. E quando feito em segurança? Muda-nos a vida.
Faça o curso. Prepare o seu equipamento. Ande com pessoas que lhe dão apoio. E respeite sempre, sempre a montanha.
Vamos fazer com que cada curva seja segura 💙 — Rhiselle
Rhiselle Alarca
Rhiselle Alarca é snowboarder, criadora de conteúdos e defensora dos direitos das mulheres nos desportos de inverno. Quer esteja a gravar reels no Instagram quer a caminhar durante horas para chegar a neve intocada, traz alegria, autenticidade e estilo a cada descida.